
O que fazer quando alguém não concorda com o modo como agimos, como pensamos, como nos comportamos com as outras pessoas ou com as situações? O que fazer quando tudo o que acreditamos é desvalorizado por outra pessoa? Provavelmente chegamos a casa furiosos, provavelmente chegamos a casa sem nos lembrármos disso. Provavelmente daqui a uma semana nem nos lembramos de nada.
Por vezes dizem que sou infantil, que acredito em todos, num mundo perfeito. Por vezes desiludo-me mil vezes mais com as coisas do dia-a-dia do que as pessoas "realistas". Sim, se calhar estou a perder muita coisa, se calhar estou a iludir-me desnecessáriamente. Provavelmente não vou ser feliz para sempre e de certeza que um dia vou morrer. Se calhar vivo como se estivesse num filme, num livro, numa série ou num conto infantil. Ou então vivo apenas a minha vida. Se calhar nem tenho muita experiência de vida em certas coisas...mas, pensando bem, quem tem? Se ser superior a mim é ter mais experiência de vida em certos ramos, então pronto, eu deixo-vos ser superiores a mim.
Mas agora penso: será que sou superior a outras pessoas só porque perdi a minha mãe? Será que isso me permite ascender a um nível diferente, a um nível em que ninguém tem o direito de discordar de mim, um nível em que eu tenho toda a razão só porque a minha mãe já cá não está e eu aprendi coisas que os outros não? Será que posso dizer: "Tu não sabes o que é perder uma mãe, não sabes nada do que é sofrer." Não...isto não digo de certeza.
Cada um tem a sua vida, cada um aprende o que tem de aprender. Cada um tem a sua experiência. Agimos de acordo com o que somos e de acordo com o que já aprendemos. Começamos a tomar consciência de certos factos que há três ou quatro anos atrás não tinhamos. Os nossos erros ditam as regras e ensinam-nos a viver e cada um tem a sua experiencia, o seu histórico e não vou julgar os actos dela só porque não tem a mesma mentalidade que eu. Posso discordar! É um pouco diferente, não é? Posso dizer "desculpa mas não concordo contigo", "são opiniões".
Mas agora reparem: apesar de tudo o que me aconteceu nestes últimos tempos, sei que há muita gente que sofre mais que eu, o que também não é motivo para desvalorizar a minha dor. Ela continua a ser a mesma, embora tendo a noção de que não é das piores dores do mundo. Apesar de tudo, estou feliz com tudo o que me está a acontecer e fundamentalmente com a intensidade com que estou a viver tudo isto. De certa forma orgulho-me de não ser "a realista", orgulho-me de fantasiar demais. O que seria da minha vida se estivesse sempre à espera do pior? O que seria de mim se desconfisse das pessoas a toda a hora? Que tudo o que é bom não dura para sempre? Não...não quero ser uma "realista". Gosto de pensar que vou ser feliz para sempre, que nada vai mudar. Gosto de pensar assim, embora lá no fundo tenha a noção que não vá acontecer. O que pode acontecer de mal? O momento de felicidade acabar? Se eu pensasse que fosse acabar, acabaria da mesma forma, não é verdade? Então porquê não pensar "Vou ser feliz para sempre" por um pouquinho? Ao menos nesse instante sou totalmente feliz. Ao menos, quando os momentos felizes acabarem eu vou pensar: "ao menos enquanto durou este momento de felicidade eu tentei vivê-lo ao máximo e desfrutá-lo" e não pensar "eu já sabia desde o inicio que isto ia acontecer, que isto ia acabar assim".
Gosto de viver histórias. De momento, vivo a minha. Mas se vivesse outra, havia mal nisso?
Sim, posso estar a viver numa ilusão, posso viver a tristeza ou a felicidade de uma maneira demasiado exagerada. Mas sou assim e estou feliz assim.
Atenção: não acho que Realismo é sinónimo de Pessimismo. Apenas usei esta expressão porque acho que se enquadra com o que algumas pessoas me dizem. E aqui explico directamente para elas que o que elas pensam ser realismo é a maioria das vezes pessimismo mas suas vidas.